Audiovisual Brasileiro Fecha 2025 com Expansão de Salas, Recorde de CPBs e Crescimento na TV Paga

A Agência Nacional do Cinema (Ancine) consolidou os resultados de 2025, evidenciando um ano de marcos históricos para a infraestrutura e o fomento da indústria audiovisual no Brasil. O setor foi impulsionado pelo recorde na operação de salas de exibição, pela elevação no volume de produção e pelo avanço em políticas regulatórias de combate à pirataria e acessibilidade.

O principal destaque infraestrutural do período foi a marca histórica de 3.554 salas de cinema em operação, o que representa a expansão do parque exibidor para 14 novos municípios. Acompanhando o crescimento físico, a autarquia lançou a versão reformulada do Observatório Brasileiro do Cinema e do Audiovisual (OCA). O portal atua como a central de inteligência de mercado da agência, integrando painéis interativos, dados abertos e anuários para orientar os investimentos do setor privado e a formulação de políticas públicas.

Indicadores de mercado e produção

A presença do conteúdo nacional registrou avanços expressivos. De acordo com a Ancine, o market share do cinema brasileiro saltou de 3,3% em 2023 para cerca de 10% no ciclo 2024-2025. Ao longo do último ano, 367 longas-metragens nacionais mobilizaram 11,12 milhões de espectadores, gerando uma bilheteria de R$ 214,99 milhões.

A capacidade produtiva também foi referendada pela emissão recorde de 3.981 Certificados de Produto Brasileiro (CPBs). A agência destacou um viés de desconcentração regional, com uma alta de 9% na oficialização de obras provenientes das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste. No panorama internacional, a política de co-desenvolvimento segue fortalecida: foram firmadas 124 coproduções entre 2023 e 2025, com um salto nos pedidos de reconhecimento desse formato, que passaram de 56 (2023) para 140 (2025).

O desempenho nas telas: pay TV e o desafio do VoD

O monitoramento da agência nas operadoras de televisão por assinatura apontou um cenário favorável. A participação das obras brasileiras na grade subiu de 19,8% em 2024 para 22,3% em 2025. No horário nobre, essa presença atingiu 28%.

Por outro lado, o segmento de VoD)permanece como a principal fronteira para a formulação de políticas públicas. O relatório «Panorama do mercado de vídeo por demanda 2025» mapeou 106 plataformas ativas no país, oferecendo mais de 138 mil obras. Desse montante, apenas 5.664 são brasileiras. A Ancine ressaltou um contraste profundo: embora o market share nacional geral no VoD seja de 5,3%, esse índice despenca para 2,7% quando analisadas as quatro principais plataformas estrangeiras com maior audiência. Segundo a agência, este cenário reforça a relevância do debate legislativo para a taxação e cota no setor, projeto para o qual mantém apoio técnico junto ao Ministério da Cultura e ao Congresso Nacional.

Regulação, fiscalização e inclusão

No campo normativo, o biênio foi marcado pela renovação da Cota de Tela (Lei n° 14.814/2024) e sua subsequente regulamentação (Decreto n° 12.323/2025). A Ancine segue utilizando os Termos de Ajuste de Conduta (TACs) como instrumento corretivo, tendo celebrado, em 2025, os primeiros acordos vinculados a obrigações na TV paga e à Cota de Tela.

A atuação ostensiva da agência resultou no combate à distribuição ilegal de conteúdo. Amparada pela Lei n° 14.815/2024, a operação de segurança identificou e bloqueou 30 redes piratas — abrangendo sites, aplicativos e sinal de TV boxes — derrubando cerca de 7,7 mil alvos e reduzindo o acesso ilícito em 73,6%.

Simultaneamente, a autarquia promoveu o projeto «Cinema brasileiro de todos e para todos», em conjunto com a Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Os eventos-teste com acessibilidade total (Libras, audiodescrição e legendagem descritiva) realizados no eixo Rio-São Paulo-Brasília servirão de base para o aprimoramento das normas técnicas nas salas comerciais do país.