
Até pouco tempo atrás, consolidar uma empresa de mídia exigia infraestrutura pesada, complexos acordos de distribuição e milhões em capital. Hoje, essa realidade exige apenas um criador com audiência, uma estratégia clara e o parceiro certo por trás de sua operação.
No Brasil, um dos mercados digitais mais dinâmicos do mundo, essa transição está se tornando impossível de ignorar. Criadores de conteúdo que construíram suas bases de fãs no YouTube, nas redes sociais ou em podcasts já não se contentam apenas com o alcance. Eles buscam propriedade e controle. E, cada vez mais, estão desenvolvendo suas próprias plataformas para alcançar esse objetivo.
O ecossistema OTT tornou-se, de forma silenciosa, o motor dessa transformação. O que antes era um mercado fragmentado e de alto custo agora é acessível, escalável e global.
‘Estamos observando uma mudança em que os criadores não são mais apenas fornecedores de conteúdo; eles estão se tornando operadores de mídia completos’, afirma Stephen L. Hodge, CEO da OTTera. ‘Eles querem ser donos da sua audiência, dos seus dados e da sua monetização. O OTT finalmente torna isso possível’.
As implicações estruturais dessa mudança são significativas. Os canais FAST abriram as portas para o setor, oferecendo distribuição imediata e visibilidade, mas eles representam apenas o começo. O verdadeiro valor está sendo construído em outro lugar: dentro dos aplicativos próprios (Owned & Operated).
Um canal FAST, por sua natureza, ainda depende de plataformas de terceiros. É uma excelente ferramenta para a descoberta de conteúdo, mas possui limitações quando se trata de propriedade. Os aplicativos, por outro lado, permitem que os criadores construam relacionamentos diretos com o público, combinem conteúdo linear e sob demanda, e criem modelos de negócios inteiramente novos. Isso inclui assinaturas, publicidade, lançamentos exclusivos e eventos ao vivo, tudo operando dentro de seu próprio ecossistema.
Um exemplo claro dessa evolução ocorre nos EUA com a rapper americana Remy Ma. Através de sua plataforma, a Remy Network, ela foi além da distribuição tradicional e assumiu a propriedade total do seu negócio. O aplicativo se tornou um verdadeiro hub para a cultura hip-hop, onde ela não apenas cura o conteúdo, mas o lança diretamente, disponibilizando filmes exclusivos apenas dentro de seu próprio ecossistema.
Este não é um caso isolado. Da música ao estilo de vida, passando pelos esportes, os criadores estão construindo redes em torno de suas identidades e audiências. O modelo é simples: utilizar os canais FAST para gerar alcance, mas usar os aplicativos próprios para construir valor a longo prazo.
No Brasil, esse modelo apresenta um potencial ainda maior. O país combina audiências digitais massivas, uma forte cultura de criadores e uma rápida adoção de CTV. É um mercado onde as vozes locais já dominam a atenção, mas agora estão começando a ser donas das plataformas e a tomar as rédeas de seu próprio conteúdo.
Essa evolução também está redefinindo o papel de empresas de tecnologia e distribuição. Com o lançamento do OTTera Media Group!, a OTTera expande sua atuação para além da base de infraestrutura, distribuição e monetização. A empresa entra em uma nova fase, focada na construção e operação de seu próprio portfólio de marcas de entretenimento com forte apelo cultural.
No Brasil, onde a OTTera atua ativamente desde 2020, essa estratégia ganha ainda mais relevância. Liderando este próximo capítulo localmente está Luciana Festi, recentemente nomeada Head de Distribuição e Parcerias no Brasil para o OTTera Media Group. Sua nomeação reflete a crescente importância da região, não apenas como um mercado de distribuição, mas como um polo de desenvolvimento de conteúdo, criadores e audiência.
À medida que o OTTera Media Group expande sua presença através de FAST, AVOD e OTT, o foco da companhia é claro: deter a propriedade das marcas, conectar-se diretamente com o público e transformar o conteúdo em propriedade intelectual e valor corporativo a longo prazo.
James DuBose, presidente do OTTera Media Group e veterano executivo de mídia com experiência na fundação de plataformas lideradas por criadores, resume o atual cenário da indústria: ‘Se você não é dono da plataforma, você não é dono do futuro. A distribuição é o verdadeiro poder — e agora, os criadores finalmente têm acesso a ela’.